Cada ser humano toma MILHARES de pequenas decisões todos os dias. Já pensou nisso? A gente tem que fazer pequenas escolhas o tempo inteiro. “Levanto agora ou durmo mais 5 minutos?” quem nunca teve que fazer essa escolha pela manhã? Atravessar a rua, o que comer no café, que caminho fazer para o trabalho, come mais ou escova dente…
No livro “Blink, a decisão num piscar de Olhos“, Malcolm Gladwell traz sua pesquisa INCRÍVEL sobre o poder das decisões que tomamos “sem pensar”. Muitas vezes a gente tem uma impressão imediata sobre alguma coisa mas prefere investigar antes de decidir. Segundo o autor, na maioria das vezes nossa investigação mais detalhada acaba reforçando o que a gente já tinha intuído desde o início!
Gladwell nos leva para uma jornada rumo ao nosso inconsciente e mostra maneiras de fazermos bom uso desse DOM. Ele mostra que a gente pode “fatiar fino” na hora de fazer uma análise, o que significa olhar para uma parte muito pequena do contexto, mas que carrega a informação de que precisamos para tomara a decisão.
Um dos inúmeros exemplos que ele dá no seu livro é sobre um curioso teste que fizeram com centenas de casais recém casados. Malcolm filmou os casais falando sobre temas polêmicos no contexto de seus relacionamentos e depois escolheu APENAS 40 segundos de cada diálogo. Segundo ele, com 40 segundos da conversa ele era capaz de apontar um forte indício de que esse casal não seria capaz de sustentar o casamento por muito tempo. A pesquisa durou muitos anos, e o pesquisador e sua equipe tiveram uma assertividade MUITO ALTA na predição. Nesse exemplo, estavam em busca da fatia fina, ou seja, do elemento sutil e preciso que indicaria que esse casal encontraria dificuldades para ir adiante com o casamento.
40 segundos de vídeo eram suficientes para perceber que os casais que acabariam se separando no curso de alguns anos apresentaram ironia quando o outro falava no seu ponto de vista ao abordar um tema polêmico para o casal. Um dos exemplos foi o sutil ar de deboche do marido quando a esposa falava de sua vontade de ter um cachorro em casa, sendo que o marido não gostava de animais.
O livro traz vários exemplos incríveis com testes realizados com diversas pessoas e eu fiquei bem impressionado com esse Universo todo. Mas o que me motivou aa escrever sobre o livro aqui foi um contra ponto que o autor traz, cuidadosamente.

O lado sombrio de fatiar fino
Nessa parte do livro Gladwell nos ajuda a enxergar que o poder das decisões rápidas e intuitivas só poderia ser acessado com segurança se tivermos em mente que muitas vezes nosso cérebro traz vieses que podem prejudicar nosso julgamento e com isso deixar nossas escolhas contaminadas.
Para mostrar como isso é potente e quase impossível de controlar, ele apresenta o “Teste de Associação Implícita” (IAT), descoberto por Anthony G. Greenwald e seus colegas de University of Washington.
O teste é tão simples que nem dá para acreditar que é tão poderoso! Ele é feito no computador e tudo o que a pessoa precisa fazer é olhar uma palavra e associar essa palavra a uma de duas ideias. Por exemplo: Você vê uma série de nomes e você tem que pensar rápido e escolher entre masculino e feminino. Veja o exemplo a setguir na tabela.

Veja que a gente quase não tem que pensar para fazer a associação acima. Nessa fase do teste, o computador mede o tempo de reação da pessoa, ou seja o tempo que ela levou para olhar para a palavra joão e associar a masculino ou feminino.
Em um segundo teste, a associação fica um pouco mais complexa, mas os voluntários tiram de letra, e o tempo médio de resposta fica quase igual.

O teste fica mais interessante quando o pesquisador mistura as categorias, invertendo as relações!

Incrivelmente (mas não surpreendentemente), as pessoas (homens e mulheres) demoravam mais a cumprir a tabela como se fosse confuso colocar João na categoria Família sendo que ele é masculino.
Esse teste também foi repetido com o objetivo de detectar vieses racistas e mesmo cerca de 50% das pessoas que se consideram negras apresentaram “dificuldade de associar a cor preta da pele a palavras como Glorioso ou maravilhoso na categoria bom quando o bom estava ligado a afro-americano” (GLADWELL, Pág. 87).
Se você é bom entendedor já pegou o recado. A gente tem condicionamentos lá no fundo de nosso inconsciente e precisamos cuidar deles! É por isso que o auto conhecimento está no primeiro lugar de todas as coisas em que já investi em aprender na vida.
Conhecer-se bem nos torna capaz de prestar grande serviço ao mundo com relativamente pouco recurso. Isso porque temos uma potência difícil de mensurar, mas a forma de acessar ela é ÚNICA, e infelizmente não dá para aprender em um curso.
Espero que essa pequena reflexão te ajude a tomar suas pequenas decisões de todos os dias, porque no final das contas nossa vida é feita delas!
Obs: Quer fazer o teste e se surpreender com seus vieses em várias temáticas? clique no link.

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