É comum as pessoas acreditarem que entendem de educação no contexto escolar porque praticamente todas elas passaram pela escola em algum momento na infância. Mas quem volta para escola como profissional da educação vive outra realidade e sabe que não é bem assim.
Nos corredores e nas sala dos professores existe um outro universo transacional quase invisível para alunos e família. Nos encontros casuais diários entre professores e coordenadores são tratados assuntos, tomadas providências, trocadas informações e compartilhadas preocupações. Todos os dias podemos ver professores e colegas parados no pátio com seus materiais de trablaho na mão conversando quase por acaso. Os alunos passam, cumprimentam e fazem perguntas, mas não fazem ideia do que está acontecendo ali naqueles segundos.
A gestão secreta da escola acontece em plena luz do dia. As definições das notas, as escolhas das estratégias, os alinhamentos sobre os métodos e a gestão dos projetos acontecem nos corretores, no pátio e na sala de aula. Mas os alunos só enxergam os resultados.
Nos shoppings existem portas que levam para as áreas de serviço – “entrada permitida apenas para funcionários”. São corredores feios, cheios de canos que levam ar sujo de exaustão da cozinha e esgoto para fora ou Água limpa para os banheiros. Ali circulam equipamentos de limpeza, pano sujo e aquele vaso de orquídea que não está na época de dar flor. Essa porta realiza uma divisão Clara: de um lado, os conteúdos, assuntos e experiência estética de quem consome o shopping. Do outro, as atividades secretas de quem sustenta a experiência.
Enquanto o shopping esconde orquídeas sem flor nos corredores misteriosos, por onde passam também tubos de exaustão, peças quebradas e lixo, a escola armazena seus projetos inacabados em plena luz do dia, nas memórias e nas conversas dos professores que os alunos não captam.
Muito antes de existir o universo de dados e serviços em rede, a escola já tinha sua própria malha humana de armazenamento processamento e difusão de inofrmação encriptada: os funcionários. Os professores, em seus alinhamentos rápidos e aleatórios realizam um verdadeiro blockchain.
No fim do dia o ambiente escolar se assemelha a um rádio com duas estações. Duas transmissões que acontecem simultaneamente, mas o aluno sintoniza apenas uma delas.
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