“Quanto mais o mundo vai se tornando complexo, menos você vai ter fórmulas prontas para copiar”
Bárbara soalheiro
É por isso que a gente precisa acordar para múltiplas inteligências e para a criatividade.
Estamos caminhando para uma catástrofe da inutilidade crônica de nossos futuros adultos (Noval Harari), se acoisa continuar como está. Estamos criando crianças para aprender coisas que não as tornam úteis nem a si mesmas.
A comunidade precisa confiar nas escolas que estão tentando se antecipar a isso tudo, mas existe muita resistência da própria comunidade. Precisamos permitir que nosso educadores se movimentem e procurem novos padadigmas.

Entendemos a insegurança de alguns pais que gostariam que a escola fosse hoje como tinha sido à sua época. Em uma análise mais imediata até que faz sentido: pais e mães dos alunos de escolas grandes e tradicionais são hoje pessoas bem sucedidas: “Ora, porque então meu filho também não seria?”.
Mas não é bem assim mais – felizmente (!). Hoje temos novas noções de sucessso, novas noções de amar e ser amado e também do que é essencial. Pessoas e grupos que sofriam opressão silenciosa estão tendo oportunidade de ser ouvidos e as relações estão mais fluídas. A informação está difundida e as concorrências estão cada vez mais pesadas em quase todas as áreas. Computadores e plataformas fazem cada vez mais do que é mecânico e repetitivo e o lugar das pessoas está cada vez mais no que não é ensinado como Hard Skill. Ser “meramente” Humano está cada vez mais valorizado na medida em que se configura a virtude mais difícil de reproduzir e substituir na vida, nas cidades e nos mercados.
Boas notas no ENEM garantem cada vez menos do que é essencial à vida moderna e estão custando cada vez mais caro para os corpos e mentes de nossas crianças.
Não adianta dizer que “em nosso tempo era assim ou assado”. Se por um lado a gente saía de casa cedo, se casava cedo e tinha grandes responsabilidades, passávamos por quase toda a infância como seres infantis e quase sem virtudes. Hoje temos crianças prodígio em quase todas as frentes humanas, mas com certa fragilidade em outras áreas. Não é uma questão de tentar fazer nossas crianças se parecerem com as crianças que fomos. É sobre entender que o que fizemos de nosso mundo até aqui não é algo que esperamos que seja feito daqui para frente, e é por isso mesmo que os paradigmas são outros.
As novas gerações estão vindo com outras configurações mentais e emocionais e tendem a adaptar o mundo para suas formas de se expressar e consumir. Precisamos estar atentos às tentativas de fazer toda criança voltar para a régua comum da norma que a gente tanto persegue.
“Somente quando for cortada a última árvore, pescado o último peixe, poluído o último rio, que as pessoas vão perceber que não podem comer dinheiro”
Provérbio Indígena
Em meus anos de professor já dei muito ombro para choros que não precisavam acontecer. Já tive que ajudar estudantes a se regenerar de uma auto imagem destrutiva construída pela inadequação a uma régua que não faz mais sentido. Já vi (e vejo) muita gente ser medicada porque não corresponde a uma cartilha de desenvolvimento quando na verdade traz consigo algo de único e que portanto não poderia estar em cartilha alguma. Já perdi estudantes para o suicídio aos 17 e já vi gente ficar mais um pouco por um triz.
Não precisa estudar muito para ver que a coisa não vai ficar boa se continuarmos assim…
Que nossas próximas gerações criem e sustentem um novo “normal” compatível com nosso planeta, porque podemos até ter plano B, mas não Planeta B.

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