“Quando eu crescer vou fumar e beber”.
Era o que eu pensava quando era criança. A vida e as cidades eram sempre tão organizadas, tudo tinha hora e as leis regulavam as pessoas… Pensei que eu ia ser assim também. “deve ser obrigatório”. Também achava que ia casar, que ia ter filhos e que ia ser, de certa forma, ausente em casa – a final de contas, “o trabalho é mais importante”.

Com o passar do tempo, entendi que muita coisa o tempo traz mesmo, e é quase inevitável. Depois de alguns anos de vida a gente aprende a economizar energia. Não subimos escada à toa e nem corremos riscos desnecessários. De repente alguns parentes e amigos começam a morrer e pensamos mais sobre a finitude da vida.
Só então, quando talvez seja tarde demais, percebemos que passamos a vida sem concordar com muita coisa que podia ter sido diferente, mas que deixamos passar para evitar a fadiga.
É claro que nossos “erros” e as escolhas “erradas” são elementos essenciais da nossa educação e crescimento. Mas é sempre bom pensar nas coisas que a gente reproduz…
Nem toda água no mar é capaz de mover os moinhos das montanhas depois da pororoca.
Às vezes me criticam porque não como carne. Ouço sempre de amigos e parentes coisas como:
“nossos ancestrais sempre comeram carne! São milhares de anos e você nasceu outro dia.”.
Sim, sempre comemos carne… mas também sempre tomamos banho frio, dormimos no chão duro e morríamos antes dos 30! Se você tem mais de 30, mora no seu apartamento e toma banho quentinho, já aprendeu que as coisas podem mudar – ainda bem.
A gente não faz ideia de como podemos ser violentos simplesmente fazendo o que sempre fizemos.
Entre a paranoia de revisar obcessivamene todas as crenças e costumes e o desligamento completo da razão de tudo o que a gente faz, deve existir um lugar do meio, sensato e leve, em que a gente possa descansar nossa consciência sem medo e sem cegueira.
Que a gente repense nosso consumo, nossas piadas e nosso passado, porque o futuro não precisa ser feito só de herança.
Deixe um comentário